Naquelas tardes mornas, pachorrentas,
Em que eu vivia assobiando em tom menor,
Em que minha vida ia do menos ao pior,
Desesperanças me seguiam, lentas.
Manhãs me despertavam, seborrentas,
E me levavam a acreditar no Mal maior
E a recitar uma oração, quase de cor,
Pedindo a Deus a morte das tormentas.
Mas, eis-me, despertado à letargia:
Apareceste e me tomaste pela mão.
Sim. Conduziste-me ao amor e à alegria
E transmutaste minha vida então:
O que era noite transformou-se em pleno dia,
O que era dor e agonia, em paixão.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Nossa desgraça
Para Álvares de Azevedo
Deu meia noite. O poeta está imerso
Num mar de ideias, procurando estratagema
Que lhe permita construir o último verso
Finalizando, pondo um ponto no poema.
A noite avança e madrugada vai adentro
E nada surge, uma ideia, um sentimento
Que dê a ele algum socorro bem no centro
Da tormentosa busca - é muito sofrimento!
E ele para, pensa e busca nos antigos
Poetas e também nos novos, seus amigos
(Ao que parece fazem poemas de cor)
Até concluir: não ter poema é bem pior
Do que um pintor sem tinta em sua aquarela
Ou que um vate sem vintém para uma vela.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Despertar em Guernica
Guernica, Pablo, me despertou
Aos treze anos o horror da lida
Da guerra inútil. O clamor da vida,
Pasmada face me revelou:
No colo mater, o filho morto,
Antipresépio da estupidez
A luz estéril, o mar, sem porto,
De violência e insensatez
A boquiaberta cara do incréu
O rijo braço elevado ao céu
A bomba alada que estourou
Minha cabeça de adolescente
E os sonhos puros de um inocente.
Guernica, Pablo, me deflorou.
Aos treze anos o horror da lida
Da guerra inútil. O clamor da vida,
Pasmada face me revelou:
No colo mater, o filho morto,
Antipresépio da estupidez
A luz estéril, o mar, sem porto,
De violência e insensatez
A boquiaberta cara do incréu
O rijo braço elevado ao céu
A bomba alada que estourou
Minha cabeça de adolescente
E os sonhos puros de um inocente.
Guernica, Pablo, me deflorou.
Arte
Que é do Tempo a Vida, a Arte?
Que é da Vida a Arte, o Artista?
O Tempo escorre
A Vida morre
O Artista passa.
O Tempo passa
A Vida escorre
O Artista morre.
A Arte fica.
Que é da Vida a Arte, o Artista?
O Tempo escorre
A Vida morre
O Artista passa.
O Tempo passa
A Vida escorre
O Artista morre.
A Arte fica.
À merda, Morte
Quando a assombrosa foice desabar
No cepo, separando corpo e alma,
Eu quero a Caronte evitar.
E quero, meu amor, manter a calma:
Não deixe no meu bolso um centavo,
Assim ele não vai me atravessar.
Eu vou ficar à margem, como escravo
Do tempo. Esperarei você chegar.
Enquanto aguardar sua chegada
Vou desviar o Estige por ali,
Não vamos no outro lado ter morada
A nossa casa vai ser sempre aqui.
À merda a iniludível, a indesejada
A tal La Belle Dame sans Merci.
No cepo, separando corpo e alma,
Eu quero a Caronte evitar.
E quero, meu amor, manter a calma:
Não deixe no meu bolso um centavo,
Assim ele não vai me atravessar.
Eu vou ficar à margem, como escravo
Do tempo. Esperarei você chegar.
Enquanto aguardar sua chegada
Vou desviar o Estige por ali,
Não vamos no outro lado ter morada
A nossa casa vai ser sempre aqui.
À merda a iniludível, a indesejada
A tal La Belle Dame sans Merci.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Distância
O que você está fazendo aí
Longe de mim,
Longe_________________________de_______________________mim?
Por que você não está aqui agora
Perto de mim,
Juntoaomeucorpo?
Longe de mim,
Longe_________________________de_______________________mim?
Por que você não está aqui agora
Perto de mim,
Juntoaomeucorpo?
Solaris
Em parceria com Sílvia Schmidt
O Sol com sua luminosidade
Envolve nossos corpos e dá forma
E cor e brilho. Com suavidade
Sua luz macia vem e nos transforma.
Esse astro-rei e a sua claridade
Toda magia sobre nós entorna:
Vão nossas marcas para a eternidade,
E o nosso enlace a Natureza adorna.
O seu calor, a sua energia
Nos transmutando quando raia o dia,
Nos elevando para o firmamento,
Faz que sejamos anjos namorados,
Plenos de amor, p'ra sempre interligados
Por duas asas e um só pensamento.
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